Efeito do controle ambiental e corticóide nasal em pacientes com rinite alérgica persistente

Efeito do controle ambiental e corticóide nasal em pacientes com rinite alérgica persistente

Effect of allergen avoidance and nasal topical corticosteroid  in patients  with persistent allergic rhinitis.

Efeito do controle ambiental  e corticóide nasal

 

Ataualpa P. Reis1, Luciana Reis2, José Augusto N. Machado3
Federico Montealegre4

1-Professor Convidado de Pós Graduação em Imunologia da UFMG e da Santa Casa de   Belo Horizonte, MG.
2-Médica Estagiária
3-Professor de Pós Graduação em Imunologia da Santa Casa de Belo Horizonte
4-Professor-Escola de Medicina de Ponce ,Ponce, Puerto Rico,USA.

 

Ataualpa P. Reis- Av. Bandeirantes 1764-CEP 30315000- Belo Horizonte,MG
Tel-31-3221-9900 Fax 31-3221-8476.  Email: apreis@uai.com.br

 

 

 

 

 

Resumo

        
Objetivos: O propósito deste estudo foi determinar os níveis dos alérgenos ambientais, promover seu controle agressivo, administrar corticóide tópico nasal em crianças portadoras de rinite alérgica persistente e verificar o seu efeito no controle da patologia.
            Métodos: Estudo clinico aleatório com 62 crianças  com rinite alérgica e asma leve persistente (VEF1> 80% do previsto) foi conduzido.  Os participantes, foram alocados aleatoriamente para um grupo de tratamento com terapia tópica nasal  em combinação com medidas agressivas para controle do ambiente ou  um grupo controle com terapia tópica nasal  sem estas medidas. Além disto, ambos os grupos usaram triancinolona tópica nasal continuamente pelo período de estudo. Testamos  se esta intervenção e o uso de corticóide  nasal teve algum efeito nos escores de sintomas da rinite, no pico de fluxo inspiratório nasal e no nível de alérgenos ambientais durante período de 6 meses.
            Resultados: Das 62 crianças, 26 não cumpriram os critérios de inclusão e 6 tiveram descontinuação do tratamento. Melhora significativa foi observada no grupo de tratamento em relação aos sintomas clínicos e nas medidas do pico de fluxo inspiratório nasal (Peak Flow Inspiratório Nasal) em associação com a redução dos níveis de alérgenos ambientais. Houve também melhora menos acentuada dos sintomas clínicos e das medidas do pico de fluxo inspiratório nasal  no grupo controle, mas não houve melhora dos níveis de alérgenos ambientais.
            Conclusão: Os resultados indicam que medidas agressivas de controle ambiental e o uso simultâneo  de corticóide tópico nasal em pacientes com rinite alérgica persistente melhoram os sintomas clínicos, o fluxo inspiratório nasal e os níveis de alérgenos ambientais.O uso somente do corticóide tópico nasal pode também melhorar menos acentuadamente os sintomas clínicos e a obstrução medida por fluxos inspiratórios nasais.

            Descritores: controle ambiental,  rinite, corticóide nasal, pico de fluxo inspiratório nasal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abstract

            Objectives: The purpose of the study was to determine the environmental allergens, to promote intensive home control measures and simultaneously to use intranasal steroid in children with persistent allergic rhinitis to verify if this could reduce this pathology.
            Methods: Children (62) with clinical persistent allergic rhinitis and mild persistent asthma (FEV1>80% of predicted) were randomly allocated to an aggressive house dust avoidance treatment group  and a control group with no intervention .  All patients in both groups used a triancinolone nasal spray continuously throughout the study period. We tested whether the intervention and nasal spray corticosteroid had an effect on the rhinitis symptoms scores, peak nasal inspiratory flow and in the home allergens determination levels during 6 months period.
            Results: From 62 children, 26 do not fulfill the inclusion criteria and 6 were dropped from treatment. Significant improvements were seen in the treatment group in symptoms scores, and in peak inspiratory flow parameter measurements in association with reduction of antigen determination in their homes. A minor improvement was seen in the control group for the symptoms scores and peak inspiratory nasal flow rates but no reduction of environmental antigens occurred.
            Conclusions: The results indicates that aggressive dust mite avoidance measures and the simultaneously use of intranasal steroid in patients with persistent allergic rhinitis had a positive impact in symptoms scores, inspiratory nasal flow and in the environmental allergens levels. The isolated use of the nasal topical corticosteroid had also a minor positive impact in the symptoms scores and inspiratory nasal flow.

            Descritores: environment control, rhinitis, nasal corticosteroid, peak nasal inspiratory flow

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Introdução:

Rinite alérgica persistente (RAP) é caracterizada por sintomas constantes de obstrução nasal, espirros, prurido e coriza aquosa. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que, em média, 40% das crianças podem apresentar sintomas de RAP1.Segundo o Consenso Brasileiro sobre Rinites de 2.000 a prevalência da rinite alérgica no Brasil é de 33% em escolares de 6 a 7 anos e de 34% na faixa etária de 13 a 14 anos2.Vários estudos mostram a forte correlação entre exposição à alérgenos ambientais, especialmente ácaros, fungos e proteínas de animais domésticos, e desenvolvimento de patologia alérgica respiratória3-6. De acordo com o Consenso Brasileiro sobre Rinites2  o tratamento da rinite alérgica deve incluir controle e higiene ambiental, imunoterapia e farmacoterapia.Os indivíduos com rinite alérgica não somente sofrem com o desconforto dos seus sintomas mas também podem freqüentemente desenvolver sinusites7 e asma8 e diagnóstico e terapia precoce podem minimizar esta marcha atópica alérgica9. O controle do meio ambiente por higienização agressiva tem se mostrado terapia bastante eficiente de controlar doença alérgica 10 e o uso de corticóide nasal também é efetivo em aliviar os sintomas da RAP como se demonstrou para beclometasona 11, budesonida12, flunisolida13, propionato de fluticasona14, mometasona15 e triancinolona 16.
  Na prática clínica utilizamos de rotina o controle ambiental, os antihistamínicos orais simples ou associados aos descongestionantes, os corticóides tópicos nasais e,  às vezes, a imunoterapia para o tratamento da rinite alérgica persistente do tipo leve a moderado. Na rinite persistente grave podemos ainda lançar mão de outros recursos terapêuticos tais como os antileucotrienos os corticóides orais 17 . 
  Neste estudo investigamos se a associação de intervenção agressiva no ambiente domiciliar do alérgico, com a pretensão de reduzir sua exposição alergênica, e o uso concomitante e prolongado por 6 meses de corticóide nasal em crianças pode alterar a presença dos sintomas da rinite alérgica persistente(RAP).

Métodos e Casuística 

 

Um total de 62 crianças foram  recrutadas para participar do estudo. Destes um total de 36 crianças (idade entre 5 e 15 anos) portadoras de RAP e asma leve persistente foi incluído no estudo, duplo cego, aleatório e em paralelo  por 6 meses de duração. O protocolo de estudo foi realizado de acordo com a Declaração de Helsinki, sendo que todos os pacientes foram esclarecidos e aceitaram com declaração de consentimento escrita ou verbal por seus pais ou guardiões legais, antes de entrarem no estudo. Os critérios de inclusão foram: diagnóstico clínico de RAP leve a moderada de acordo com a classificação do ARIA Workshop Report (Allergic Rhinitis and Its Impact on Asthma)17 e  testes cutâneos positivos a dois ou mais alérgenos ambientais. Os critérios de exclusão foram: pacientes que usaram corticóide nasal, oral, inalado ou intramuscular durante as últimas 4 semanas anteriores ao estudo , pacientes clinicamente instáveis, com infecções do trato respiratório superior, sinusite infecciosa ou exacerbações de asma no período de recrutamento ou durante o estudo.
Depois da visita inicial para seleção, os pacientes participaram de 1 semana de avaliação  quando os sintomas nasais, freqüência, uso de medicação e medidas de pico de fluxo inspiratório nasal(PFIN) foram anotadas.Ao fim deste período foram reavaliados e, se estáveis, foram alocados de maneira aleatória nos grupos experimentais  para o período de tratamento. Após a inclusão as crianças foram distribuídas em 2 grupos: ativo com 20 crianças em que as medidas agressivas de controle ambiental foram executadas e grupo controle(16 crianças) em que estas medidas não foram executadas.Todas as crianças usaram o corticóide nasal triancinolona durante todo o período de estudo na dose de 1 jato (55 mcg) em cada narina à noite.Também foram permitidas usar medicação broncodilatadora por inalação oral de resgate (salmutamol-SOS) em episódios de asma. Todas foram instruídas para anotar os sintomas diariamente bem como realizaram a espirometria nasal. Estas avaliações foram repetidas a cada 2 meses de intervalo até o final do estudo.
   Como medidas agressivas de controle ambiental no grupo ativo foram incluídas simultaneamente  : uso de capa impermeável em uma das faces nos colchões e travesseiros, limpeza da casa com pano úmido ou aspiração com aspirador de pó com filtro HEPA ou receptáculo de água, retirar carpetes e pisos acarpetados, uso de poltronas e outros móveis apenas se impermeáveis, lavagem semanal  de lençóis  e outros tecidos do quarto com água quente a 56 °C, exposição máxima do ambiente à luz solar, evitar brinquedos de pano ou com pelos, aplicar água sanitária em locais de umidade.
A variável primária foi o escore nasal e as secundárias foram as dosagens dos alérgenos ambientais e o pico de fluxo inspiratório nasal. O estudo foi aprovado pelo Conselho de Ética.

Dosagens dos alérgenos ambientais

  Os alérgenos dos ácaros ambientais foram pesquisados através de amostras de poeira colhidas seguindo um protocolo de coleta usando-se um aspirador de pó Eletrolux modelo Vac.A-10 aplicado na superfície de 4 áreas predeterminadas: quarto, colchões, sala de TV, tapetes e carpetes.A aspiração era realizada durante 2 minutos em uma área de 1 metro quadrado em cada uma das áreas escolhidas.O material coletado nas 4 áreas foi colocado em frasco apropriado, misturado a 10 ml de tampão e lacrado.Esta solução era sacudida e extraída por 5 minutos e estocada em geladeira a 4oC  por um máximo de 4 dias até a análise dos alérgenos pelo ensaio específico semiquantitativo do “Rapid Test for Dust Mite”(Indoor Biotechnologies, Ltd, UK)18. O resultado do nível de alérgenos foi  expresso como negativo, nível baixo, moderado e alto, sendo que baixo corresponde a aproximadamente 0.2 μg /g de poeira; médio a 0.2-1.0 μg /g poeira; alto > 1  μg /g de poeira .Uma equipe foi treinada para a coleta do material que era rotulado em código e o pesquisador das amostras não conhecia o código até a abertura dos resultados.

Testes cutâneos.

  Os testes cutâneos foram realizados por punturas e com extratos glicerinados que foram adquiridos da IPI-ASAC do Brasil S/A(International Pharmaceutical Immunology-São Paulo) e puntores plásticos descartáveis da IPI-ASAC do Brasil.A  bateria de alérgenos padronizados  incluiu Dermatophagoides pteronyssinus, D. farinae, Blomia tropicalis, epitélio de cão(Canis familiares), epitélio de gato(Felis domesticus), fungos das espécies Penicillium nonatum, Alternaria alternata, Aspergillus fumigatus e baratas(Blatella germânica e Periplaneta americana). Todos os antígenos usados foram padronizados em unidades biológicas(UBE) e a técnica de puntura padronizada de acordo com Dreborg e Frew19, sendo o critério de positividade a formação de pápula cujo maior diâmetro deve ser igual ou superior a 3mm, com controle negativo igual a zero e controle positivo com histamina(10mg) também superior a 3mm.

Medidas de fluxo inspiratório nasal (PFIN).

   As medidas de pico de fluxo inspiratório nasal (PFIN) foram realizadas com um aparelho Mini Wright Peak Flow Meter conectado a uma máscara de anestesia infantil.As crianças eram ensinadas inicialmente a assuar bem as narinas e a seguir inalar o mais rápida e fortemente possível através da mascara e pelas narinas e o melhor de 3 exames executados era gravado.Uma profissional técnica foi treinada pela equipe pesquisadora e foi a única responsável pelas medidas no período de estudo. Os pacientes foram também orientados em como anotar os sintomas nasais diariamente em relação a espirros, prurido, rinorréia aquosa e obstrução nasal, baseados em uma escala de 4 pontos indo de zero a 3. O critério de escores foi de acordo com a tabela I.
   Análise estatística foi realizada utilizando-se o teste t Student para as médias independentes.A análise secundária foi realizada utilizando se o teste t Student para as médias pareadas e com desvio padrão da média, sempre analisados em relação à linha basal. Para os resultados em percentual e sem o desvio padrão foi aplicado o teste do Qui-Quadrado. Também foi analisado o coeficiente de correlação entre as medidas do PFIN e as medidas dos níveis de alérgenos nos domicílios utilizando-se o método de Spearman. Nestas avaliações estatísticas usamos os programas de computador SPSS versão 10.0 e o Minitab.LNK versão 13.0 e o nível de significância estatística foi de 5%.

Resultados

 

Sessenta e dois pacientes foram incluídos no inicio do estudo. Em ambos os grupos alguns pacientes foram retirados.No grupo ativo 4 foram retirados por não completarem as medidas agressivas de controle ambiental e 2 do grupo controle porque apareceram com infecções repetitivas, uso de outras medicações e suspenderam prolongadamente o uso do corticóide nasal. A figura I descreve o fluxo CONSORT de pacientes.  As características dos pacientes foram semelhantes com todos da raça branca e com os parâmetros normalmente distribuídos, sendo que os 2 grupos não apresentaram diferenças significantes( tabela II).

Escores nasais

Na análise dos escores totais dos sintomas e dos escores dos sintomas individuais, no inicio do  estudo não houve diferença significativa( p> 0.005) tanto para o grupo ativo como para o grupo controle. A seguir nos meses 2, 4 e 6 houve diferenças estatisticamente significante tanto para o grupo ativo quanto para o grupo controle e tanto na somatória total dos sintomas  quanto na análise individual de cada sintoma( figuras 2, 3, 4, 5, 6) , mostrando desfecho favorável nos 2 grupos. Quando se comparou a somatória total dos sintomas nos 2 grupos houve diferença significativa para o grupo ativo apenas nos meses 4 e 6 (p< 0.05), sendo que no mês 2 esta diferença não foi evidente (p> 0.05)(figura 6).

Pico de fluxo inspiratório nasal (PFIN).

Na análise das alterações dos picos de fluxos inspiratórios houve um aumento médio em relação à linha básica de  90( ± 5) L/min para 120 ( ± 8) L/min no grupo ativo no mês 2 e de 92 (± 6)L/min para 107 (± 3) L/min no grupo controle. No mês 4  houve aumento para 125 (± 6) L/min no grupo ativo e para 112 (± 2)L/min no grupo controle. No mês 6 o aumento foi para 128(±5) L/min no grupo ativo e para 113(± 4) L/min no grupo controle (p< 0.05 em relação à linha básica nos meses 2, 4, e 6 para o grupo ativo e  para o grupo controle). Houve, portanto, desfecho favorável nos 2 grupos de estudo. Quando se comparou os 2 grupos não houve diferença entre as linhas básicas, mas nos meses 2, 4 e 6 houve diferença  significante (p < 0.05), mostrando que a melhora do PFIN foi mais importante no grupo ativo do que no grupo controle( figura 7).
O coeficiente de correlação entre o PFIN e das medidas de alérgenos ambientais nas casas com altas concentrações alergênicas mostra forte correlação negativa( r= - 0.949 com nível p< 0.05), demonstrando-se assim que inversamente, quanto mais se reduzem os  níveis de alérgenos ambientais  maiores são os fluxos( PFIN).

Níveis dos alérgenos

O estudo dos níveis de alérgenos dos ácaros ambientais pelo método semiquantitativo foi categorizado como baixo (0.2 microgramas/g de poeira coletada); médio (0.2 a 1.0 mcg/g de poeira e alto (> de 1.0 mcg/g de poeira) e mudança em relação à linha basal inicial para categoria mais baixa ocorreu em 50% no grupo ativo e 21.42% no grupo controle  passaram para categoria mais alta ao final do  mês 2.No  mês 4, 75 % do grupo ativo migrou para mais baixa e no grupo controle 14.29% migraram para mais alta. No  mês 6 permaneceu a migração de 75% do grupo ativo para categoria mais baixa e permaneceu a migração de 14.29% para categoria mais alta, sendo que outros 14.29% migraram para categoria mais baixa no grupo controle(p < 0.05 para o  mês 2; p< 0.01 para os meses 4 e 6 do grupo ativo). Houve, portanto um desfecho favorável no grupo ativo. Não houve alteração significativa entre os as categorias no grupo controle (p> 0.05) mostrando que não houve  aqui um desfecho favorável. Portanto a redução dos níveis de alérgenos nos lares com intervenção agressiva foi bastante evidente e  durante todo o período de estudo, enquanto que nos lares sem a intervenção agressiva a dosagem dos alérgenos não apresentou maior alteração e não houve evidência de redução ( figura 8 ).

O coeficiente de correlação entre o PFIN e das medidas de alérgenos ambientais nas casas com altas concentrações alergênicas mostra forte correlação negativa( r= - 0.949 com nível p< 0.05), demonstrando-se assim que inversamente, quanto mais se reduzem os  níveis de alérgenos ambientais  maiores são os fluxos( PFIN).

 

Discussão

   De acordo com os Consensos Internacionais e o Brasileiro sobre o tratamento da asma este tratamento deve incluir  o controle ambiental o uso de beta 2 agonistas conforme a necessidade e eventualmente o corticóide inalado 20,21.O último Consenso Brasileiro sobre Rinites aconselha que no tratamento da rinite alérgica leve a moderada se deve incluir o controle ambiental, uso de antihistamínicos tópicos ou orais e corticóide nasal2.
Neste trabalho em que avaliamos o resultado de rotina clássica preconizado para pacientes com RAP e asma leve persistente onde incluímos o controle ambiental, o uso de beta 2 agonistas de acordo com a necessidade e o corticóide nasal para uso prolongado, verificamos o resultado positivo desta conduta para a melhora da RAP e também da asma leve persistente concomitante que estes pacientes apresentavam( Reis,AP- dados não publicados e submetidos à publicação).
 O controle ambiental é parte muito importante nesta estratégia. Alergia aos ácaros ambientais é a causa mais comum de doença alérgica respiratória na criança e controle ambiental parece ser a maneira mais lógica de tratar a criança com alergia respiratória relacionada aos ácaros. A literatura que suporta esta afirmação é extensa 4,22-28. Neste estudo a exposição antigênica aos ácaros ambientais foi medida em termos de concentração antigênica como mcg/g de poeira. Este método de avaliação tem sido recomendado pelos 3 últimos workshops internacionais e têm sido usado em diversos ensaios e com sucesso 24,29,30. O uso de métodos baseados na técnica de ELISA( ensaio imuno enzimático com anticorpo monoclonal) tem fornecido um índice bastante válido de exposição antigênica e métodos semiquantitativos, como o que usamos neste ensaio, pode ser usado por clínicas, laboratórios, médicos e até por pacientes para controlar e monitorar o nível de concentração antigênica na casa do alérgico 31. Os alérgenos são medidos em amostras de poeira coletadas por aspirador de pó em área de 1m 2 e por 2 minutos em 3 a 4 locais da casa, principalmente quarto, sala de TV, tapetes, carpetes, e mostram boa correlação da quantidade de alérgenos e índice de exposição. O teste é rápido e dá condições ao pesquisador, médico ou paciente de avaliar o índice em alto, moderado ou baixo por simples linhas coloridas que se correlacionam ao grupo 2 dos antígenos de ácaros determinados pelo teste de ELISA.
Neste trabalho demonstramos também que o uso do corticóide nasal triancinolona melhorou de forma estatisticamente significante os sintomas da RAP no grupo ativo com intervenção agressiva de controle no ambiente domiciliar, mas também no grupo controle em que estas medidas não foram executadas e principalmente quando o uso se torna mais prolongado. O  uso do corticóide nasal para tratamento da RAP  tem sido reconhecido como efetivo há anos 32,33. Na última década os corticóides tópicos têm se mostrado como a forma mais eficaz do tratamento farmacológico para RAP. Para uso regular e profilático são considerados como os de menor risco para efeitos sistêmicos secundários e daí considerados de primeira linha para o tratamento da RAP 17,34. Recentemente vários trabalhos também demonstraram a eficácia dos corticóides tópicos nasais em melhorarem a obstrução nasal  através de rinomanometria e medidas de fluxos inspiratórios nasais 35-37. O PFIN tem sido demonstrado como método confiável de medir a obstrução nasal quando comparado a rinomanometria anterior e posterior 38,39. Neste trabalho também demonstramos que o uso profilático e constante por 6 meses no grupo controle teve efeito positivo sobre a obstrução demonstrada pelo aumento do PFIN e houve correlação negativa entre o sintoma obstrutivo e o fluxo, sendo que isto já ocorreu com 2 meses de tratamento e se manteve constante durante todo o período.
A conclusão final do estudo é de que o controle ambiental e o uso de corticóide tópico nasal em crianças por um período de 6 meses são capazes de reduzir  a concentração antigênica nos lares dos pacientes, melhorar os sintomas da RAP e reduzir a obstrução nasal através da melhora dos picos de fluxo inspiratórios nasais(PFIN).
As limitações do estudo foram a impossibilidade ética de não termos um controle sem o uso do corticóide nasal que decidimos ser a mínima terapia de suporte aos pacientes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tabela I  Critérios de escores de sintomas nasais

 

Obstrução Nasal                                                                   Espirros

  • Sem qualquer bloqueio                                                 0   Ausentes                
  • Pequena dificuldade de respirar                                    1   Ocasionais (< 5 p/dia)
  • Moderada dificuldade de respirar                                  2   Freqüentes (5-10 p/dia)
  • Muito difícil ou impossível de respirar                            3   Muito freqüentes (> 10 p/dia)

 

Rinorréia                                                                               Prurido

       0   Ausente                                                                                  0   Ausente
       1    Presente, mas discreta                                                1    Presente, mas discreta
       2    Presente e incomoda                                                  2    Presente e incomoda
       3    Presente e persistente                                                 3    Presente e persistente                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Organization Chart
                                

 

Alocados

 

Intervenção descontinuada (n=4)
Não preencheram os requisitos de controle ambiental

 

Intervenção descontinuada (=2)
Episódios de infecções repetitivas

  

 

 


 

Seguimento

                                           

 

 

 



                                                              

    

          Analisados n=16)

 

Analisados n=14

 

Análise

  

 

 


Figura 1. Distribuição dos pacientes.

 

 

 

 

 

 

 

Tabela II. Características individuais de cada grupo de tratamento

 

Característica

Intervenção (N=16)

Controles
(N=14)

P

 

 

 

 

Idade

10.5 ± 5-15

10.7± 5-15

NS

Sexo
    F
    M

 

10
6

 

9
5

 

NS

Atopía

Sim

Sim

 

Demora do diagnostico de RAP

 

 

 

1 ano

05

04

NS

2 ano

08

06

NS

>2 anos

03

04

NS

Demora do diagnostico de asma

 

 

 

1 ano

04

03

NS

2 ano

06

05

NS

>2 anos

06

06

NS

Escore de sintomas nasais

6.50 ± 2.64    

7.40 ± 1.78

NS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


            Figura 2-Escores médios de obstrução nasal

 

          
                     Figura 3-Escores médios de espirros

 

 


          Figura 4-Escores médios de prurido nasal

 


           Figura 5-Escores médios de rinorréia aquosa

 

 

Figura 6 - Escores totais dos sintomas

Text Box:  No inicio não houve diferença significativa para o grupo com intervenção e Grupo controle ( p> 0.05)
Mês 2 não houve diferença significativa entre os 2 grupos
٭ < 0.05          

 

 

 

 

 

 

          Figura 7-Pico de fluxo inspiratório nasal
          p< 0.05 em relação à linha básica nos meses 2, 4, e 6 para o grupo ativo e  para o grupo
           controle.
           Na comparação entre os  2 grupos não houve diferença entre as linhas básicas, mas nos
           meses 2, 4 e 6 houve diferença  significante (p < 0.05),     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LEGENDA DA FIGURA 8

 

Ativo= pacientes com medidas agressivas de controle ambiental+ corticóide nasal
Controle= pacientes sem as medidas de controle ambiental+ corticóide nasal

‘   Alta > 1.0 mcg/g de poeira

  • Média de 0.2 a 1.0 mcg/g de poeira

 

    Baixa= 0.2 mcg/g de poeira

#   Os números representam as casas dos pacientes que tiveram aquela concentração   dos alérgenos ambientais

No grupo ativo em relação à linha básica, no 2o.  mês  50% migraram para categoria mais baixa( p < 0.05 ); no 4 º mês e no 6 º mês 75% migraram para categoria mais baixa (p < 0.01 ).
No grupo controle em relação à linha básica, no 2o.  mês  21.42% migraram para categoria mais alta( p> 0.05-N.S ); no 4 º mês 14.29% migraram para categoria mais alta(p> 0.05-N.S) e no 6 º mês 14.29% permaneceram na categoria mais alta e 14.29% migraram para categoria mais baixa (p > 0.05-N.S ).
                  
 

 

 

 

 

 

 

Notícias
  • Diretor Médico.
  • Professor Convidado de Pós Graduação da UFMG e Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Doutor em Imunologia pela
  • Bioquímica da UFMG.
  • Ex-presidente da Soc. Brasileira de Alergia e Imunopatologia-MG.
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