DERMATITE DE CONTATO
A Dermatite de Contato é doença cosmopolita, de considerável importância não só no âmbito médico, mas devido a problemas sócio econômicos que ela pode gerar. Representa 80% das dermatoses ocupacionais ( somando-se a irritativa e a alérgica)...” ( GBEDC-1).

A definição acima coloca a dermatite de contato como a dermatose ocupacional alérgica mais importante em áreas urbanas. Os antígenos que mais freqüentemente aparecem como causadores dessas dermatoses variam de país para país, de região para região, conforme os hábitos e usos locais. Por isso em 2000 o Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato publicou um estudo com 967 pessoas e definiu um padrão brasileiro de Bateria de Teste de Contato Alérgico de acordo com as prevalências encontradas no nosso país, que são diferentes dos padrões Europeu e Americano (EEUU).

As Dermatites de Contato afetam de 5 a 20% da população dependendo dos grupos raciais, profissionais, faixa etária e sexo. Como manifestações de doença profissional, afetam principalmente profissionais da área de limpeza e da saúde. No âmbito geral, afetam mais mulheres do que homens e o adultos jovens entre 20 e 40 anos. Embora seja uma dermatose alérgica de baixo risco, há relatos de reações anafiláticas graves por látex no mundo inteiro, cujo uso vem aumentando nesses tempos de maior consciência de prevenção em relação a AIDS e outras formas de doenças contagiosas. A alergia ao látex afeta especialmente profissionais da saúde. É grave pelo potencial de indução de anafilaxia pela aspiração do pó de látex contido em luvas. Dá reação cruzada com diversos alimentos como banana, kiwi, batata e outros. As pessoas alérgicas ao látex tem a vantagem da pronta é fácil identificação do produto já que raramente entra como componente secundário na composição de produtos uso pessoal.

Nos estudos do Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato- GBEDC ( Anais Bras Dermat 2000) o agente que predomina como sensibilizante da população é o níquel, afetando especialmente as mulheres, por ser componente habitual em bijuterias, botões, fechos, apliques, fivelas e outros acessórios de uso feminino. Não há relatos de anafilaxia por seu uso em pessoas sensibilizadas.

O que nos chamou a atenção dentro de nossos objetivos de alertas de alergia em rótulos de produtos de uso pessoal, foi a alta prevalência de sensibilização encontrada pelo GBEDC a Parafenilenodiamina e Quartenium 15. Ambos são de uso freqüente pela população como veremos abaixo.

O Parafenilenodiamina é o corante usado nas tinturas de cabelo nos tons castanho e suas variações. Mais preocupante é sua inclusão, muitas vezes de forma ilegal, nos corantes usados nas chamadas Tatuagem de Henna . A tatuagem de Henna é uma tradição em paises árabes onde se usa Henna pura obtendo-se uma tonalidade que varia do dourado ao vermelho. Para atender as exigências do seu público alvo , os “tatuadores” brasileiros passaram a usar uma henna na qual se adiciona parafenilenodiamina para dar o tom castanho escuro. Isso aplicado na pele, geralmente no litoral, nas praias, portanto sob ação do sol, gera sensibilização grave com manifestações severas de eczemas nos locais das tatuagens. Comercializa-se também as chamadas Hennas Negras que nada mais são do que Henna, um produto natural adicionada de Parafenilenodiamina. Com isso se ilude os usuários(as) de que se está usando um produto natural de cor mais forte, que atende as exigências de uma tintura mais escura para cabelos.

O parafenilenodiamina representa um alérgeno potencialmente perigoso porque, usado mais freqüentemente com tintura de cabelo, sensibiliza uma área de grande reatividade com manifestações locais de eczema, queda de cabelos e sintomas generalizados de urticária e angioedema. Além disso, pelo fato do produto ficar impregnado no cabelo, a sua ação e prolonga por dias ou semanas, sendo de difícil controle pelo médico, gerando muito desconforto ao paciente, redução de sua capacidade produtiva, danos estéticos e riscos a saúde pela possibilidade de infecções secundárias na área eczematizada.

O quartenium 15 ou Dowicil 200, aparece no trabalho do GBEDC como um dos principais alérgenos em dermatite de contato. O quartenium 15 não se relaciona com outros quarteniuns como o 18,21, etc, que são compostos químicos completamente diferentes do quartenium 15, não havendo reação cruzada. Trata-se de um conservante usado em diversos produtos como adesivos, cimento dentário, cosméticos, fluidos metalúrgicos, medicamentos tópicos, colírios, papéis, polidores, produtos de limpeza e tintas. Sua quantidade costuma ser muito baixa nessas formulações. Representa risco quando usado de forma continuada e de modo especial nos cosméticos, colírios e medicamentos tópicos, pelo seus uso freqüente e muitas vezes prolongado. O que torna o quartenium 15 especialmente importante é sua capacidade de produzir reações cruzadas com o formaldeído, contido freqüentemente nos desodorantes de uso pessoal.

Assim , considerando que dentre os produtos de uso pessoal que mais produzem sensibilização alérgica , os que mais riscos representam, tanto pela freqüência de seu consumo na população como pelas reações que podem produzir, o PARAFENILENODIAMINA, LÁTEX e QUARTENIUM 15 deveriam ter alertas destacados na informação da composição dos produtos que os contenham.

Referências;

1. Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato – Estudo Multicêntrico para elaboração de uma bateria padrão brasileira de teste de contato – Na brás (??) Dermatologia, Rio de Janeiro, 75(2):147-156. Mra/Abr 2000

2. Lian CPC , Rios JBM – Dermatite de Contato- Diagnóstico Tratamento –Editora(??) Revinter -2004

3. Saary, Joan et all –A systematic review on Contact Dermatitis Treatment and Prevention -Toronto Canada – J Am Acad Dermatology 2005; 53:845/55

4. Militello, Giuseppe et all – Allergic Contact Dermatitis in Children – Pennsylvania USA – Cur Opin Pediatric – 2006 ,18:385/90

5. Brasch, Jochen - New Contact Allergens – Germany – Cuur Opin Clin Allerg Imunology – 2007. 7:409-412
Notícias
  • Diretor Médico.
  • Professor Convidado de Pós Graduação da UFMG e Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Doutor em Imunologia pela
  • Bioquímica da UFMG.
  • Ex-presidente da Soc. Brasileira de Alergia e Imunopatologia-MG.
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